quinta-feira, 29 de maio de 2008

Caixas de Sonhos

Cada pessoa tem uma maneira peculiar de guardar e preservar as suas lembranças mais caras. Pois o tempo passa, muita coisa acontece, as lembranças se acumulam, os momentos acontecem... Mas, existem certas coisas que acontecem, pessoas que passam que não queremos que o tempo nos faça falhar a memória, deixando com que certas recordações se tornem apenas sombra das nossas lembranças.
Outro dia encontrei uma caixa de papelão florida, velha, manchada, mastigada pelo armário.
Eram tantos cacarecos sem nenhuma utilidade, coisas que não se encaixavam em nada, nem nas lembranças que eu tentava trazer a tona, mas, nada.
Tudo virado na cama a um passo do lixo. Eu sabia que para estarem guardadas deveriam servir para me lembrar de algo, alguém, mas, nada me vinha à mente.
Não existe um final feliz para isso. Realmente tudo foi para o lixo.
Quando fui dormir a imagem daqueles objetos ficaram passando pela minha cabeça num carrossel de imagens soltas até que decidi pegar alguns álbuns e ver algumas fotos antigas. Não podiam ser só nada.
Não eram na época só coisas que estavam ali. Tinham nome, estória, mas simplesmente se foram.
Nem sempre é assim, guardo certas lembranças que tem nome até hoje, e não se perderam, mas a idade modifica os sonhos, a intensidade das cores que nos cercam. Às vezes aumentam, outras vezes diminuem.
Mas uma coisa é certa, alguns momentos se vão por que só foram eternos naquele tempo e espaço, por serem fruto de algo que só podia existir ali.
Outros vão permanecer, e permanecer, e talvez, permanecer.
É fantástico encontrar de novo esses que sobrevivem à caixa de papelão e ao armário.
Beijos no Coração

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